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Réu Primário Responde em Liberdade? A Verdade Que Poucos Explicam

  • Foto do escritor: Felipe Geitens
    Felipe Geitens
  • 18 de mai.
  • 5 min de leitura

Primariedade não é garantia de liberdade. Entenda o que realmente determina se você responde preso ou solto.


"Mas ele é réu primário — tem que responder em liberdade." Essa frase chega ao escritório com frequência, dita por familiares de presos que acreditam que a primariedade é uma espécie de salvo-conduto automático. Não é.

A primariedade é um fator relevante no processo criminal — mas está longe de ser a regra que muitos imaginam. Este artigo explica o que realmente define se um réu responde preso ou solto, quando a prisão pode ser revertida e o que um advogado criminal pode fazer nessa situação.

 

O Que É Réu Primário — e O Que Muita Gente Confunde

Réu primário é aquele que ainda não tem nenhuma condenação criminal com trânsito em julgado. Ou seja: o processo esgotou todos os recursos possíveis e a condenação se tornou definitiva.

O ponto que surpreende muita gente: uma pessoa pode estar sendo investigada por vários crimes, responder a múltiplos processos criminais simultâneos e ainda assim ser tecnicamente primária — desde que nenhuma dessas condenações tenha transitado em julgado.

 

❌  MITO

Réu primário nunca pode ser preso durante o processo.

✔  REALIDADE

Réu primário pode sim permanecer preso, desde que o juiz identifique e fundamente adequadamente os requisitos legais para a prisão preventiva.

 

Uma distinção importante

Na prática, o juiz diferencia o réu primário sem nenhum histórico criminal daquele que já foi condenado mas ainda está recorrendo. Tecnicamente, os dois são primários. Mas para quem está julgando, essa diferença tem peso — e influencia decisões sobre liberdade.

 

O Que Realmente Determina a Prisão ou a Liberdade

A lei estabelece requisitos específicos para que alguém seja mantido preso durante o processo. O juiz não pode simplesmente decidir prender porque quer — precisa fundamentar a decisão em ao menos um desses elementos:

 

•        Garantia da ordem pública — quando há indícios concretos de periculosidade do réu, não apenas a gravidade do crime imputado

•        Garantia da ordem econômica — em crimes que podem gerar continuidade de prejuízo financeiro a terceiros

•        Conveniência da instrução criminal — quando há risco real de o réu influenciar testemunhas, destruir provas ou prejudicar a apuração

•        Garantia de aplicação da lei penal — quando há risco concreto de fuga

 

Atenção a um ponto que o STJ e o STF reafirmam constantemente: a gravidade abstrata do crime, por si só, não é fundamento suficiente para a prisão preventiva. É preciso que exista um risco concreto e demonstrável — não apenas a suspeita de que o crime foi grave.

 

Exemplo prático

Um réu acusado de homicídio qualificado pode responder em liberdade se não houver risco concreto de fuga, ameaça a testemunhas ou reiteração criminosa. Da mesma forma, um réu acusado de crime menos grave pode ser mantido preso se o juiz identificar e fundamentar adequadamente esses riscos.

 

É Possível Reverter uma Prisão Preventiva?

Sim — e o pedido pode ser feito a qualquer momento do processo. Mas existem condições para que esse pedido seja bem-sucedido.

A lógica é a seguinte: se o juiz decretou a prisão com base em um fundamento específico, e esse fundamento deixou de existir, a prisão perde sua razão de ser e deve ser revogada.

Um exemplo concreto: o juiz decreta a prisão porque o réu tentou contatar testemunhas para influenciar seus depoimentos. Durante o processo, todas as testemunhas são ouvidas em audiência. A partir desse momento, o fundamento original — risco de influência nos depoimentos — simplesmente não existe mais. O advogado apresenta esse argumento ao juiz e requer a revogação da prisão.

 

O que não funciona

Pedir revogação toda semana sem fundamento novo não adianta — e pode criar uma percepção negativa perante o juiz. O pedido precisa apontar uma mudança concreta: o fundamento que embasou a prisão não existe mais, foi superado por algum fato processual ou há elementos novos que justificam a liberdade.

 

Alternativas à Prisão: Medidas Cautelares Diversas

Mesmo quando a liberdade plena não é imediatamente possível, o advogado pode requerer medidas cautelares diversas da prisão — que permitem ao réu responder ao processo fora do cárcere, mas com restrições.

As mais comuns são:

 

•        Monitoramento eletrônico — uso de tornozeleira

•        Proibição de frequentar determinados lugares

•        Proibição de se ausentar da comarca ou do país

•        Recolhimento domiciliar em período noturno

•        Suspensão do exercício de função pública ou atividade econômica específica

 

A escolha da medida adequada e a forma de apresentar o pedido ao juiz dependem das circunstâncias específicas do caso. Não existe fórmula pronta — existe análise caso a caso, com estratégia construída a partir do que o processo apresenta.

 

Por Que Advogado Criminal Especializado Faz Diferença

Casos criminais têm particularidades que exigem conhecimento técnico específico. Um advogado sem experiência na área criminal pode, sem perceber, prejudicar ainda mais a situação do cliente — seja por desconhecimento da jurisprudência atual dos tribunais superiores, seja por erros na forma de apresentar os pedidos.

Nos casos que envolvem prisão preventiva, cada detalhe importa: o momento certo de pedir a revogação, o fundamento correto a apresentar, a medida cautelar alternativa mais adequada para cada perfil de réu e de juiz. Isso é trabalho de especialista.

 

Você ou alguém da sua família está preso preventivamente e acredita que a prisão pode ser revertida?

 

Nosso escritório tem sede em Palhoça/SC e atende clientes com atendimento presencial e online em todo o Brasil — SP, RJ, RS, PR, DF e demais estados.

 

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  ⬛  PERGUNTAS FREQUENTES:

 

Pergunta 1 — Réu primário tem direito de responder em liberdade?

Não automaticamente. A primariedade é um fator favorável, mas não garante a liberdade durante o processo. O juiz pode decretar prisão preventiva mesmo para réus primários quando identificar e fundamentar adequadamente os requisitos legais — como risco de fuga, ameaça a testemunhas ou risco à ordem pública. O que a lei proíbe é a prisão baseada apenas na gravidade abstrata do crime.

 

Pergunta 2 — O que é réu primário no processo penal?

Réu primário é aquele que não possui nenhuma condenação criminal transitada em julgado — ou seja, uma sentença definitiva, sem possibilidade de recurso. Uma pessoa pode estar sendo investigada por vários crimes ou ter múltiplos processos em andamento e ainda ser considerada primária, desde que nenhuma condenação tenha se tornado definitiva.

 

Pergunta 3 — É possível revogar uma prisão preventiva?

Sim. O pedido de revogação pode ser feito a qualquer momento do processo. Para ter boas chances de êxito, o advogado precisa demonstrar que o fundamento que embasou a decretação da prisão não existe mais ou foi superado por algum fato processual — como o encerramento das audiências de testemunhas, por exemplo. Pedidos sem fundamento novo raramente são acolhidos.

 

Pergunta 4 — Quais são as alternativas à prisão preventiva?

O juiz pode substituir a prisão preventiva por medidas cautelares diversas, como: uso de tornozeleira eletrônica, proibição de frequentar determinados lugares, recolhimento domiciliar noturno, proibição de se ausentar da comarca ou suspensão de atividade profissional. O advogado criminal deve avaliar qual medida é mais adequada ao caso e apresentar o pedido de forma fundamentada ao juiz.

 

Veja também:

Advogado criminal explicando se réu primário responde em liberdade e o que determina a prisão preventiva



Autor: Felipe Geitens — Advogado Criminal | Palhoça/SC | Atendimento em todo o Brasil

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